sábado, 20 de novembro de 2010


UM FAROL PARA NOS GUIAR EM TEMPOS DIFÍCEIS

A cada ano que passa os discípulos de Jesus buscam uma orientação que produza autenticação naquilo que eles afirmam ser. Talvez poucas épocas da história tivessem sido tão confusas quanto a essa identidade cristã. Hoje a espiritualidade é medida pelos gritos, pelas quedas, pelas lágrimas, pelo óleo, pelo sal grosso, pela arca da aliança, pela língua que não se entende, pelo desejo do coração que é manifestado em forma de profecia, pelo milagre etc.... Porém, o que aprendemos nas Escrituras acerca daqueles que resolveram andar com Jesus? Quais eram as marcas? O mandamento? As atitudes que caracterizava esses discípulos?

O que me impressiona é que há uma clareza grande com relação a esse assunto, porém, aparentemente ele vem com um tom frio e sem graça diante de tanto balburdio evangélico. Jesus nos disse no evangelho de João que a forma de sabermos se de verdade somos seus discípulos é se amassemos uns aos outros (Jo.13.35). Em um dos seus discursos finais Ele nos diz que o seu mandamento é este que nos amemos uns aos outros (Jo.15.12). Preste atenção! Você compreende essas palavras? Compreende mesmo? O que te faz um verdadeiro discípulo não é a quantidade de vezes que você vem à igreja, ou suas reações num culto, ou o malabarismo litúrgico, mais, o seu amor demonstrado pelo outro discípulo, pelo outro irmão, pelo seu próximo. O amor e só o amor nos autentifica de verdade.

Outra questão importante é que conforme às Escrituras o amor e só ele tira a falta de significado das ações,tira a soberba dos atos e a insanidade dos feitos. Paulo escreve aos Coríntios, uma igreja preocupada com as manifestações do “Espírito”, porém, sem nenhum compromisso com a unidade, santidade, adoração e pureza doutrinária. Um dos ápices do argumento de Paulo aos erros daquela igreja se encontra exatamente na falta de amor, ele chega a dizer que o saber ensoberbece, pois, eles se intitulavam senhores do saber, mais o amor edifica. E em sua declaração magna sobre o amor nos mostra que a única forma de sabermos de fato que o que fazemos é resultado de uma compreensão real do que somos em Cristo é através do amor: “Ainda que eu fale as línguas dos homens e dos anjos, se não tiver amor, serei como o bronze que soa ou como o címbalo que retine.Ainda que eu tenha o dom de profetizar e conheça todos os mistérios e toda a ciência; ainda que eu tenha tamanha fé, a ponto de transportar montes, se não tiver amor, nada serei.E ainda que eu distribua todos os meus bens entre os pobres e ainda que entregue o meu próprio corpo para ser queimado, se não tiver amor, nada disso me aproveitará.” (1.Co.13.1-3).

A última verdade que gostaria de destacar nesse texto é que só através do amor conseguimos revelar ao mundo, ao outro e a nós mesmo que a reconciliação com Deus aconteceu, que estamos em paz prá vivermos a vida nos construindo nos doando uns aos outros. Há algo de espetacular no mover do Espírito, na igreja de Atos, logo no princípio. Observe o que o texto diz: “Todos os que creram estavam juntos e tinham tudo em comum.Vendiam as suas propriedades e bens, distribuindo o produto entre todos, à medida que alguém tinha necessidade (At.2.44,45)”. O que quero com esse versículo? Hoje em dia a espiritualidade, a temperatura de uma igreja é medida pelas mãos levantadas, pelos gritos de aleluia, glória a Deus e os olhos bem fechados, porém, vejam isso! Observem com muito cuidado! Pisem sem sandálias nessa terra santa das Escrituras! Nesse momento singular onde o Espírito foi derramado de uma vez por todas, a igreja abriu os olhos e estendeu as mãos. A paz interna que reconciliava esses irmãos com Deus e com o outro os levaram à beira de um total desapego à qualquer coisa para que houvesse vida e suprimento em todas as mesas da igreja.

Só alguém verdadeiramente tocado pelo Espírito, que anda de verdade com Jesus é capaz de ter paz suficiente no coração para entender que a vida é uma oferta prá ser compartilhada e sendo ela constrói a comunidade dos que experimentam em vida a bondade do Senhor e um pedaço do céu.

Então daqui prá frente fica decretado que o amor será nossa filosofia, nossa forma de existir, nosso jeito de mostra a verdadeira religião e a mais pura e fiel espiritualidade. E que vivendo assim cada ato se eternize em e no amor.

Rev. Jakstone Carvalho Braga

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